Confira!

[Cinema LGBT] Deuses e Monstros (1998)

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Venho tentado nos últimos anos, cada vez mais conhecer o Cinema LGBT. Em minha buscas, tento encontrar desde filmes mais fofos, leves, felizes, como filmes antigos que possam ajudar a contar a história do Cinema LGBT.

A propósito, neste ano (2019), faz exatamente 100 anos desde que o primeiro filme, protagonizado por uma história “escancaradamente” homossexual, estreou nos cinemas da Alemanha. Um marco na história do Cinema. E brevemente vou fazer um post sobre esse filme e marco ❤

Para começar a trazer mais posts sobre o Cinema LGBT e seus personagens, resolvi começar por um dos filmes da temática que vi em janeiro de 2019 e me emocionou profundamente por tantos motivos…

“DEUSES E MONSTROS” (1998)

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Há quase que exatos 20 anos, chegava aos cinemas brasileiros o filme “Deuses e Monstros”, dirigido por Bill Condon e protagonizado pelos atores Ian McKellen e Brendan Fraser. Ian McKellen inclusive, foi indicado ao Oscar de Melhor ator naquele ano por seu papel neste longa. O ator não levou o Oscar (infelizmente, pq como merecia, viu?!) mas o longa levou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado.

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Mas enfim, não sei como este filme apareceu em alguma de minhas buscas, mas sei que não foi fácil achar um torrent legal e muito menos uma legenda que funcionasse bem. Mas a sinopse + os atores que protagonizavam o filme me despertaram grande interesse em conhecer a obra, então minha busca foi intensa. Quando finalmente baixei Filme e legenda OK, custei pegar o filme, acho que precisava estar na vibe de um filme do tipo.

A Sinopse

Em 1957, James Whale, um diretor homossexual que fez sucesso no passado com filmes de monstros, se sente solitário e passa a contar suas experiências para o seu musculoso jardineiro. Mesmo desconfiado dos interesses do patrão, a amizade deles cresce e o jardineiro é pago para posar para ele, pois agora o diretor virou um pintor diletante. Estes acontecimentos ocorrem sob os olhares vigilantes da sua governanta, que, conhecendo bem o patrão, quer evitar que o jovem seja envolvido por ele.

Eis acima a sinopse do filme que me despertou o interesse em conjunto com os atores (que tenho admiração por ambos). Mas lendo a sinopse, eu achava que era apenas uma história inventada (e até certa parte sim, é), mas foi quando comecei a ver o filme que descobri que se tratava de um filme biográfico, que contava parte da história de vida de um diretor de cinema famoso na década de 30/40 por 3 de seus filmes de terror: Frankenstein, A noiva de Frankenstein e O homem invisível.

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Bastou eu entender que era sobre a história do criador destes icônicos personagens do Cinema para eu sentir um impacto diferente sobre como receber a obra e, posteriormente, ver Frankenstein, A noiva de Frankenstein e O homem invisível com outros olhares.

No longa acompanhamos as últimas semanas da vida de James Whale, após um derrame, que acabou deixando sequelas. No filme, diversas fortes emoções momentos fazem com que Whale reviva seus piores “pesadelos” do seu passado, como a Primeira Guerra Mundial, como suas paixões perdidas no passado, seu relacionamento com seu pai na infância e seus trabalhos nos filmes de Terror da Universal. Tudo isso tem tanto peso na história apresentada na adaptação… em contraste, Whale se encanta por seu novo jardineiro, interpretado por Fraser.

Whale acaba se aproximando de seu jardineiro e demonstra interesse em desenha-lo/pinta-lo. E por grande parte da história ficamos na dúvida se o interesse é sexual, amoroso ou puramente amigável, nostálgico… talvez por faze-lo sentir mais jovem ou reviver o “gostinho” de seu passado e sua paixão.

O jardineiro por sua vez, deixa claro que o contato é somente para a pintura e que não é gay. Mas o jardineiro, ao mesmo tempo que se sente desconfortável e com medo das intenções de Whale, se sente fascinado em ouvir/conhecer, as histórias e o trabalho do diretor dos filmes de terror conhecidos pelo mundo inteiro.

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Whale não só sobrevive com as sequelas do derrame, como também convive com a Depressão. O que pode ajudar a explicar a relação que ele busca criar com o jardineiro.

Dado todas essas informações que contei acima, o filme ainda conta com uma bela trilha sonora instrumental, para realmente tocar nas emoções dos expectadores.

A atuação é outro ponto forte do filme, os poucos personagens que têm destaque entregam carisma, emoções e um gostinho de verdade e compaixão, necessários para esta história.

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Outra coisa que me encantou no filme foram eles não só utilizarem cenas dos filmes Frankenstein e A noiva de Frankenstein, mas recriarem cenas dos bastidores destes filmes, isso foi de um encanto tremendo para mim, que conferi pela primeira vez em 2017/2018 os principais filmes do Universo de Monstros da Universal. Se você não conhece, tenta conferir ao menos os dirigidos por Whale e depois de ver “Deuses e Monstros”, que ai certamente, você verá tais personagens com outros olhos.

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No final das contas, fui tocado por essa história sobre tudo, por ela ser baseada na vida real de um diretor gay, que viveu numa época onde não poderia se assumir sem sofrer as consequências, mas também por falar de amizade, de companhia… em meio a vida de um personagem jovem e um idoso que enfrentava o esquecimento de Hollywood, os arrependimentos do passado, a perda de um grande amor, a solidão e a depressão. Todo esse pacote cheio de histórias, sentimentos e reflexões, ludicamente alinhados com o personagem/filme do Frankenstein. ❤

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Sentiu curiosidade em conferir, se emocionar com o longa? Espero que este pequeno texto tenha despertado a atenção e curiosidade de quem acabar parando neste post.

Sobre James Whale

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James Whale (Esquerda) e Ian McKellen (Direita)

(As informações abaixo podem ser consideradas spoilers por conter fatos presentes no filme)

James Whale foi um cineasta britânico radicado nos Estados Unidos, melhor conhecido pelo seu trabalho em filmes de terror que ficaram bastante populares: Frankenstein (1931), A noiva de Frankenstein (1935) e O homem invisível (1933).

Nasceu em 22 de julho de 1889 em Dudley, Reino Unido. E faleceu em 29 de maio de 1957. Em outubro de 1915, com o início da I Guerra Mundial, James Whale se alistou no exército e esteve no regimento de Worcestershire em julho de 1916. Foi feito prisoneiro de guerra em agosto de 1917, quando continuou a desenhar e escrever, descobrindo seu talento para as produções teatrais.

Whale teve seu grande momento em Hollywood quando dirigiu o filme Frankenstein (1931) e a sequência, Bride of Frankenstein (1935) e  The Invisible Man (1933), feitos para a Universal Pictures e todos grande sucessos de bilheteria .

Whale recebeu influência do cinema mudo alemão, particularmente dos filmes de F. W. Murnau e seus movimentos de câmera. Os filmes estabeleceram as carreiras americanas de Gloria Stuart, Colin Clive, Elsa Lanchester, Boris Karloff e Claude Rains, atores que ele conhecia da Inglaterra e que graças a isso criara papéis adequados para as respectivas personalidades.

Ele morou com o produtor David Lewis que divulgou a curta nota de suicídio de Whale somente em 1987. Whale estava com depressão e se suicidou em sua casa na Califórnia, ao se afogar na piscina, em 29 de maio de 1957, com 67 anos de idade.


Trilha Sonora do Longa

Como mencionei que achei bela e tocante a trilha do filme, vou deixar aqui em baixo, uma das canções instrumentais mais tocantes para mim neste longa 🙂 ❤

Se você já conferiu ou vai conferir, não deixa de compartilhar conosco o que achou do filme e a história de James Whale, ok?! 🙂

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Sobre Bruno Vieira (768 artigos)
Estudante de Comunicação Social – Publicidade, tem 27 anos e adoraria se lembrar do primeiro filme que viu em sua vida, mas o que passa em sua mente são flashs de sessões da tarde, com muitas aventuras, romances e filmes de terror da década de 80 e 90. Aprendeu a amar e se emocionar ( e tem prazer em chorar ) com o gênero drama. Gosta de comédia e ação e adora musicais e fantasia. Outro amor são as animações, filmes de heróis e tudo aquilo que faça qualquer um viajar com o poder da imaginação. Se identifica muito com o personagem Woody (Toy Story) pelo o quanto ele valoriza e faz pelas amizades. Um herói? Claro… O Homem-Aranha.

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